FILATELIA TEMÁTICA - DEFINIÇÃO
Filatelia Temática é o segmento da Filatelia no qual a coleção
conta uma história, analisa um tema específico ou apresenta
uma tese.
Seu desenvolvimento deve ser feito a partir de um plano, apresentado no início da participação.
A história é contada utilizando-se :
- Elementos postais : selos, cadernetas, inteiros postais, franquias mecânicas, etc. e suas modificações (perfins, sobrecargas, sobretaxas, etc.)
- Obliterações : comuns, publicitárias, comemorativas, etc.
- Outros elementos usados em operações postais, tais como as etiquetas de registro, marcas de censura, de correio desinfetado, correio danificado, etc.
Todos estes elementos estão unidos por um texto apropriado e conciso.
Uma apresentação caprichada e sóbria valoriza o conjunto.
FILATELIA TEMÁTICA - REGULAMENTO
REGULAMENTO ESPECIAL PARA A AVALIAÇÃO DE PARTICIPAÇÕES
DE FILATELIA TEMÁTICA
EM EXPOSIÇÕES FIP
ARTIGO l - EXPOSIÇÕES DE COMPETIÇÃO
De acordo com o Artigo l.4 do Regulamento Geral da FIP para a Avaliação
de Participações em Exposições FIP (GREV) é
estabelecido o presente Regulamento Especial com vista a complementar aqueles
princípios, no que respeita à Classe de Filatelia Temática.
Deve igualmente recorrer-se ás Directrizes (guide-lines) para a Classe
de Filatelia Temática, as quais constituem um guia prático
para a aplicação deste Regulamento Especial.
ARTIGO 2 - PARTICIPAÇÕES
Uma coleção temática, da qual a participação
exposta é parte integrante, desenvolve um tema de acordo com o respectivo
plano.
Os conhecimentos filatélicos e o conhecimento do tema são
demonstrados através das peças filatélicas escolhidas.
A aplicação dinâmica e imaginativa destes conhecimentos
é comprovada pela melhor selecção possível e
disposição do material e correcção do texto
temático apropriado.
ARTIGO 3 - PRINCíPIOS DE COMPOSIÇÃO DA PARTICIPAÇÃO
3.1 - Numa participação filatélica utilizam se todos os tipos de material filatélico apropriado. Não podem ser incluídos elementos não filatélicos.
3.2 - Uma participação temática compreende os seguintes elementos temáticos.
3.2.1 - O Plano
O plano define a estrutura da colecção e da participação e as suas subdivisões. Deve ser correcto,. lógico e equilibrado e abranger todos os aspectos relacionados com o respectivo título. Para além disto, o plano deve ser inteiramente concordante com o título escolhido e totalmente estruturado de acordo com os critérios temáticos estabelecidos.
O plano pode:
* ser livremente escolhido a fim de realizar a síntese de um temo ou de uma ideia.
Ou
* derivar naturalmente do tema quando,. por exemplo, este descreve, analiticamente organizações, instituições e acontecimentos ocorridos.
Um plano baseado numa classificação por data de emissão,
por país ou por outros critérios geográficos, ou por
tipo de material, não é considerado aceitável.
O plano deve ser apresentado numa folha no inicio do participação
pormenorizando o conteúdo da colecção, as suas subdivisões
e a respectiva amplitude dos capítulos apresentados.
3.2.2 - O Desenvolvimento
O desenvolvimento tem em vista a elaboração do tema em profundidade,
esforçando-se por conseguir uma elaboração criativa
e/ou original do mesmo, em total concordância com o plano.
A profundidade do desenvolvimento só pode ser conseguida através
de uma análise detalhada e uma síntese de cada um dos aspectos
do tema escolhido. Criatividade significa o desenvolvimento pessoal de novos
temas; originalidade significa novos aspectos ou novas abordagens de temas
já conhecidos
A elaboração da colecção utiliza o informação temática disponível
- da finalidade da emissão;
- dos elementos (motivos) principais ou secundários do desenho:
- de outras características postais.
Um desenvolvimento bem sucedido requer
- um profundo conhecimento do tema:
- um alto grau de conhecimentos filatélicos (ref.ª Art.º
4.3).
O texto temático deve ser correcto. conciso e pertinente justificando
o material apresentado e assegurando a ligação temática
(fio temático).
3.2.3 - O material filatélico
Cada peça filatélica deve estar estreitamente relacionada
com o tema escolhido e deve apresentar a sua informação temática
da forma mais clara possível. Tratando-se de documentos obliterados,
dar-se-á preferência ao genuíno uso postal em conformidade
com as taxas postais contemporâneas.
Estudos filatélicos, sempre que incluídos, devem ser compatíveis
com o desenvolvimento temático, não podendo ser afectada a
sequência da participação.
ARTIGO 4 - CRITÉRIOS DE AVALIAÇÃO DAS PARTICIPAÇÕES
São aplicáveis os critérios gerais de avaliação definidos pelo Artigo 4 do GREV, tendo em consideração as particularidades das participações temáticas.
4.1 - O critério de avaliação do plano requer a avaliação da estrutura da colecção reflectida pela participação.
O plano será avaliado tendo em consideração os seguintes aspectos
- Presença e adequação da página do plano;
- Compatibilidade do plano com o titulo da colecção;
- Subdivisão dos capítulos de forma correcta, lógica
e equilibrada;
- Existência de todos os capítulos necessários ao desenvolvimento
do plano;
- Criatividade e originalidade na forma como foi abordado.
4.2 - O critério " Desenvolvimento do Tema" requer a avaliação
da sua concordância com o plano. e da pesquisa e importância
temáticas
A pesquisa temática cobre:
- O estudo pessoal;
- O alcance. a profundidade e o equilibrio:
- A criatividade e a originalidade;
- O conhecimento temático expresso por
- Uso correcto do material;
- Texto adequado;
- Relação estreita entre estes dois elementos.
A importância temática diz respeito ao grau de dificuldade de desenvolvimento do tema
4.3 - O critério "Conhecimentos Filatélicos" requer o avaliação do grau de conhecimentos filatélicos gerais e específicos e a da importância filatélica.
Os conhecimentos filatélicos gerais compreendem:
- Concordância absoluta com as regras filatélicas;
- Adequação dos documentos postais;
- Exactidão do texto filatélico, quando requerido.
Os conhecimentos filatélicas especificas compreendem:
- A presença do maior número possível de tipos de
material filatélico;
- O uso equilibrado desse material;
- O estudo e a pesquisa pessoal.
A importância filatélica está em relação com o importância filatélica do material.
4.4 - Critério "Estado e Raridade" (ref.: GREV - Artigo 4.6)
4.5 - Critério "Apresentação" (ref.: GREV - Artigo 4 7)
ARTIGO 5 - APRECIAÇÃO DAS PARTICIPAÇÕES
5.1 - As participações de Filatelia Temática serão apreciadas por especialistas qualificados na respectiva área e em concordância com o disposto na Secção V (artigos 31 a 47) do GREX - Regulamento Geral de Exposições FIP (GREV - 5.l).
5.2 - Para orientação do Júri e no sentido de uma avaliação equilibrada das participações de Filatelia Temática, são estabelecidos os seguintes termos de pontuação (ref.º GREV, Artigo 5.2)
Plano 20
Desenvolvimento (Tratamento) e Importância 30
Conhecimentos Filatélicos, Estudo e Pesquisa 20
Estado e Raridade 25
Apresentação 5
ARTIGO 6 - DISPOSIÇÕES FINAIS
6.1 - Na eventualidade de existência de alguma discrepância
no texto, proveniente da tradução. prevalecerá a versão
inglesa.
6.2 - Este Regulamento Especial para a Avaliação de Participações
de Filatelia Temática em Exposições FIP foi aprovado
pelo 54° Congresso FIP, em 5 de Novembro de 1985. no cidade de Roma
e foi revisto no 61º Congresso FIP, em Granada, em 4 de Maio de 1992
O regulamento revisto entra em vigor em l de Janeiro de 1995.
DIRETRIZES PARA A AVALIAÇÃO DE PARTICIPAÇÕES DE FILATELIA TEMÁTICA
1 - Exposições de competição
Estas Diretrizes, conjuntamente com o Regulamento Especial para a Avaliação de Participações de Filatelia Temática (SREV), reúnem o mais avançado nível de conhecimentos e de prática de expositores e de especialistas em filatelia temática.
Os dois documentos proporcionam informação importante para
- a montagem de participação pelo colecionador;
- a avaliação das participações pelos jurados;
- a formação de opinião por parte dos peritos.
O SREV para as participações de filatelia temática permite ao colecionador considerável liberdade de preparação da sua coleção dentro dos limites das normas estabelecidas.
Com este Regulamento, é abolida a antiga subdivisão da classe temática em "coleções temáticas" e "coleções por assunto").
2 - Participações
A essência da filatelia temática requer o equilíbrio e o melhor uso possível do material, tanto no seu aspecto temático como no filatélico.
Uma participação concorrente a uma exposição de competição deve, por conseguinte, incluir o material mais adequado que contribua para o desenvolvimento do tema escolhido, mas tendo também em vista a sua importância filatélica.
As folhas escolhidas devem:
- dar uma panorâmica de conjunto do tema escolhida, ou
- mostrar em profundidade setores específicos da coleção
como um exemplo sem perder de vista a essência geral do tema,
Em ambos os casos, devem ser observadas a coerência e a continuidade do tema escolhido.
3 - Princípios de composição da participação
3.1- Material filatélico apropriado
Pode ser utilizada toda a peça filatélica que preencha os requisitos estipulados pelo GREV (ver parágrafo 3.2.3) e que seja, ao mesmo tempo, tematicamente apropriada Por outro lado, a informação temática que apresenta deve ter conotação postal (ver parágrafo 3.2.2)
3.2 - Os elementos de uma participação temática
3.2 1 - Plano
Numa coleção temática deve existir um plano apropriado
e bem organizado que mostre uma concepção clara do tema.
O titulo e o plano formam um conjunto que deve refletir as características
especificas do tema escolhido.
O plano deve definir a estrutura da coleção e da participação
(uma seleção da coleção) por intermédio
de classificação racional em capítulos principais e
suas subdivisões Deve proporcionar um entendimento claro e compreensível
do tema e estar em concordância com o título.
O plano deve ser mais do que uma simples listagem. Deve detalhar referências diretas e indiretas, desenvolvimentos e características especificas do tema escolhido. Deve incluir todos os diferentes aspectos do tema e abranger a maior área compatível com aquele. Sob este aspecto, deve evitar-se tanto quanto o tema escolhido o permita, a limitação ou concentração do desenvolvimento do plano somente a um ou a poucos países
Características do Plano
O colecionador tem toda a liberdade de escolha do Plano, podendo optar
pela análise de um tema especifico, ou apresentar uma tese de acordo
com os seus conhecimentos e/ou a sua formação cultural e filatélica
E possível desenvolver um tema de uma maneira original através
da elaboração de um plano criativo.
A seqüência do plano pode seguir uma ordem cronológica
(histórica, evolutiva), adaptada ao assunto (científica, sistemática,
organizativa, econômica, etc.,) ou outra baseada em diferente critério
(importância, etc.).
Um plano lógico requer o respeito pelas definições
acima expressas. Em particular, a seqüência dos capítulos
supérfluos ou inadequados
Quando o Regulamento refere que o Plano deve ser correto isso significa que deve ser preciso, cientificamente verdadeiro e judicioso.
Do mesmo modo, equilibrado significa que deve ser dada a mesma importância
aos diferentes setores, de acordo com o seu significado filatélico
e o material disponível.
Os temas referentes a Organização e instituições
(ex. : Cruz Vermelha, Liga das Nações, Conselho da Europa),
a acontecimentos que se repetem (ex.: Dias do Selo, Jogos Olímpicos),
etc. , podem ser subdivididos de acordo com a sua estrutura, tipo de organização
e natureza dos eventos, segundo uma seqüência de tempo ou de
lugar. Contudo, devem ser mostradas claramente as finalidades, tarefas,
resultados e conseqüências das atividades dessas organizações
ou eventos.
O plano deve ser constituído somente por classificações temáticas sem quaisquer capítulos genéricos tais como: "Miscelânea" , "Apêndice", etc., Além disso, devem ser evitadas subdivisões por datas de emissão e / ou países, ou por tipo de material (ex.: "Franquias mecânicas", "Inteiros Postais", etc.,), ou por finalidade de emissão (ex.: "Aniversários", etc.). Tais peças devem ser colocadas de acordo com o seu conteúdo temático, aplicando-se o mesmo critério a estudos filatélicos especiais (ver parágrafo 3.2.3).
Se o expositor decide mostrar um só capitulo da sua coleção, o plano e o titulo da participação devem ser concordantes com esse capitulo.
A Folha do Plano
O plano tem de ser dividido de forma tão detalhada que sejam claramente compreendidas a estrutura essencial do tema e as suas subdivisões. Subdivisões mais detalhadas que possam auxiliar a compreensão da participação, devem, em principio, ser incluídas somente nas respectivas folhas.
Pode usar-se uma classificação numérica (ex. : decimal, sistematizada) se esta ajudar a tornar a participação mais compreensível A classificação numérica deve limitar-se às divisões principais do plano. A experiência indica que é suficiente um sistema de três dígitos.
O plano apresentado no principio da participação é
a melhor introdução possível para a compreensão
do tema. Não pode ser substituído por uma descrição
literária.
Uma folha de titulo introdutória, quando incluída, deve realçar
o tema. Esta pode ser conjugada com o plano desde que o não prejudique.
O titulo e o plano devem ser apresentados numa das línguas oficiais
da FIP: inglês, francês, alemão, russo ou espanhol.
O número de folhas expostas em cada subdivisão da participação,
deve ser indicado, ao lado do número de folhas que constituem a coleção,
para que seja possível avaliar a relação entre a participação
e toda a coleção.
Esta informação, não passível de comprovação, não deverá, contudo, ser usada com fins de avaliação. O conteúdo da folha do plano deve ser atualizado de cada vez que a participação é apresentada.
3.2.2 - Desenvolvimento do tema
O plano e o desenvolvimento representam os dois aspectos de um processo interligado baseado no estudo pessoal e pesquisa do colecionador, tanto do tema como do material. Um mais profundo conhecimento do tema facilita o aumento do numero de fatos e detalhes e a procura de peças adicionais para os ilustrar. Um mais profundo conhecimento do material permite a identificação de novas peças, as quais muitas vezes podem ser justificadas através de estudo adicional do tema.
A profundidade do desenvolvimento do tema é demonstrada pela apresentação de ligações, referências e ramificações no âmbito do tema escolhido, bem como através da apresentação de material invulgar ou mesmo totalmente desconhecido, relativo ao tema.
A qualificação e a concordância temática do
material devem ser claramente demonstradas.
A originalidade tem a ver com a elaboração, bem conseguida,
de novos temas, novos aspectos ou novas abordagens de temas já conhecidos
e novas classificações ou descrições imaginativas.
Um conhecimento completo do tema e do material adequado, é um requisito prévio para o melhor desenvolvimento temático possível. A escolha hábil do material e a sua correta colocação e ordenamento, são necessárias para assegurar um adequado entendimento do contexto da coleção
O Arranjo Temático
O desenvolvimento é demostrado na participação pelo correto arranjo temático, o qual mostra a relação entre as peças utilizadas e o tema, isto é:
- presença de subdivisões, de preferência no topo das folhas, de acordo com o plano;
- possível utilização de subdivisões complementares sob a forma de títulos e subtítulos, para além das divisões do plano, a fim de proporcionar um entendimento mais fácil do conteúdo da folha:
- relação correta entre todas as peças expostas na mesma folha
- seleção das peças mais adequadas para cada detalhe temático descrito:
- texto correto e curto, mas suficiente para proporcionar uma ilustração apropriada da contribuição temática das peças
Recomenda-se que o texto deve:
- demonstrar a seqüência lógica no desenvolvimento do plano;
- dar descrições apropriadas dos detalhes temáticos dos selos e documentos;
- evitar descrições temáticas que não estejam relacionadas, ou só o estejam indiretamente, com o material apresentado, desde que aquelas prejudiquem o desenvolvimento temático
A Informação Temática
O desenvolvimento utiliza a informação temática diretamente
representada pelo motivo e/ou a finalidade de emissão das peças
Utiliza também a informação temática que pode
ser transmitida em resultado de uma análise mais profunda. Neste
sentido, pode também incluir-se:
- no que respeita à finalidade de emissão:
- emissões resultantes de alterações de natureza política;
- emissões que reflitam o espirito de determinada época;
- funções do serviço postal que tenham um significado temático (ex.: caminhos de ferro, telégrafo, selos para jornais, etc. )
- em complemento ao motivo principal e secundário da peça:
- o texto o estilo artístico da ilustração e particularidades similares;
- o material no qual as peças foram impressas como, por exemplo, papel com fios de seda papel de notas de banco, papel de mapas (cartas) militares, etc. ;
- o desenho da filigrana e a perfuração;
- o texto ou a ilustração de margens, "gutters-pairs ", "bandeletas" , etc.
A informação utilizada para o desenvolvimento do tema deve ter conotação postal Neste sentido, a fim de se distinguir entre as origens postais e privadas, para selos, inteiros postais e outros documentos, a informação deve ter sido:
- iniciada pelo serviço postal, ou
- introduzida pelo serviço postal (ex.: legendas ou motivos publicitários, inscrições nas margens, ilustrações dos inteiros postais) ou
- aprovadas pelo serviço postal (ex. inteiros postais para uso privado).
Não podem ser incluídas impressões adicionais ou sobrecargas introduzidas por entidades privadas da venda das peças.
As obliterações podem ser de interesse pelo significado especifico de um nome local, em alternativa, devem conter informação temática adequada (p. ex. texto de propaganda, ilustração), para além dos dados relativos ao lugar e/ou à data. Uma marca pré-adesiva não documenta o local de nascimento de uma pessoa, nem a data de um carimbo é relevante quando relativa a um fato especial acontecido no mesmo dia (a não ser que outros elementos temáticos do documento ou obliteração sejam relevantes para o tema).
Vinhetas, marcas ou carimbos e sobrecargas decorativas, de origem privada, bem como as coordenadas do remetente e do destinatário, representam informações privadas e não devem ser usadas no desenvolvimento temático. Em casos excepcionais, podem ser considerados como parte do documento (mas não pelo seu contendo temático direto) desde que sejam apropriadas para descrever uma rota postal especifica ou uma associação temática significativa.
Se um remetente ou destinatário invoca para si privilégios postais especiais (ex.: redução ou isenção de portes) resultantes da sua posição, condição ou estatuto (ex. correio militar ou oficial, etc. ) essa informação pode ser incluída como tematicamente importante. A indicação de redução (ou isenção) de portes ou a marca postal de serviço, ou marcas equivalentes da rota postal, proporcionam evidência suficiente
3.2.3 - O Material Filatélico
O GREV (Art. 3.2) define o material adequado como tendo o " Propósito de providenciar o transporte de correspondência ou outras formas de comunicação postal. Isto dá ao colecionador a possibilidade de selecionar peças com as seguintes características
Tipo de emissão:
- peças postais (selos, cadernetas de selos, inteiros postais, franquias mecânicas, etc. ) e as suas alterações (sobrecargas, sobretaxas, perfurações, etc.) Não devem ser utilizadas modificações da peça postal não relacionadas com o tema da mesma ou que não tenham relação com o tema da coleção;
- obliterações (ordinárias, flâmulas, comemorativas e outras marcas postais especiais);
- outras peças usadas nas operações postais tais como etiquetas de registo, etiquetas e marcas de encaminhamento postal e marcas ou etiquetas suplementares (ex. : de censura, desinfetadas, de correio acidentado, etc.), boletins de expedição ("borderaux") e de distribuição ou de transportes marítimos, "coupons" de resposta, marcas postais transitórias, etc.
Estas peças devem ser apresentadas sobre documento postal:
- variedades;
- peças tais como "projetos para emissões, ou produzidas na preparação de emissões", (ex. esboços, provas, etc.)
Limite temporal
- material postal da era pré-filatélica, de todo o período
clássico, até às emissões atuais e documentos
A utilização de selos comuns e sobrescritos, incluindo alguns
muito modernos, pode ser justificada se forem os melhores para ilustrar
detalhes temáticos importantes .
Função postal
Para além das peças relativas ao encaminhamento normal do correio, pode ser incluído o seguinte material: tipos específicos (isentos de franquia correspondência de serviço e correio militar, incluindo "Airgraphs" e "V-Mail"); correio marítimo; correio por caminho de ferro; correio aéreo de qualquer tipo; correio de prisioneiros de guerra e de campos de concentração; pacotes postais e encomendas postais (e documentos que os acompanhem):
- selos, marcas e/ou inteiros postais para correio isento de franquia (ex. entidades oficiais, militares);
- serviço postal de pagamentos;
- diferentes formas de correio automático;
- correio privado, autorizado ou tolerado pelo Correio oficial, ou em exercício na ausência total de Correio estatal.
Sob a rubrica "outras comunicações postais", estão incluídos outros tipos de serviços postais, tais como correio pneumático, telegramas, correio eletrônico, etc.
Não são apropriadas as seguintes peças:
- emissões fantasmas de territórios postais inexistentes, e/ou emissões de exílio sem serviço postal;
- obliterações privadas adicionais, aplicadas por um remetente ou por um fornecedor antes da expedição postal dos documentos;
- postais ilustrados;
- ilustração particulares aplicadas em sobrescritos e postais;
- vinhetas (etiquetas de publicidade) de natureza privada, emitidas com fins publicitários ou de financiamento
Estas não devem ser confundidas com vinhetas referentes a um serviço
postal especifico (p ex. correio aéreo), ou para autorização
de uma rota postal especial, ou que confiram privilégios postais
(ex.: correio militar ou de prisioneiros de guerra de alguns países),
todas elas perfeitamente adequadas e podendo ser utilizadas.
O material duvidoso tem sempre de ser acompanhado por uma justificação
filatélica cabal dentro de um conjunto de uma participação
já altamente especializada.
Uma descrição filatélica só é necessária quando uma característica especifica da peça não é reconhecível com um conhecimento filatélico médio, ou quando tem de ser descrito um estudo filatélico.
Critérios de seleção
O critério de caráter postal implica que, dentro dos princípios relativos ao material adequando, devem ser estabelecidos alguns níveis de referência para a seleção das peças Os expositores devem procurar as melhores. Se necessitarem de expor peças de menor qualidade devido a não terem conseguido melhores, um dos seus princípios objetivos deve ser o de as substituir tão depressa quanto possível.
Preferência e maior importância devem ser dadas a:
- emissões cujo conteúdo informativo, de natureza política, histórica, cultural, econômica e/ou similar, tenha uma relação direta com o país emissor, em oposição a emissões especulativas que exploram "modas" na filatelia temática. Estas emissões duvidosas podem, em principio, ser totalmente ignoradas;
- selos genuinamente obliterados, em oposição a selos com obliterações de favor:
- correio comercial efetivamente circulado com obliterações genuínas, em oposição a documentos de tipo recordação e peças similares, criadas para agradar aos colecionadores, como por exemplo sobrescritos de primeira dia ilustrados (ainda que emitidos por administrações postais), postais máximos, etc.;
- peças genuinamente circuladas com porte correto e obliterações temáticas apropriadas, em oposição a obliterações "de favor", muitas vezes com franquia insuficiente, ou, ainda pior, obliterações em peças sem selos (a não ser que gozem do privilégio de isenção de franquia);
- documentos com endereços comerciais individualizados, em oposição a sobrescritos e postais resultantes de assinaturas;
- franquias postais corretas, em oposição a franquias substancialmente maiores de vidas a razões filatélicas (ex. séries completas);
- franquias mecânicas com a competente franquia, em oposição
às obliterações de favor a "000"
A relativa raridade ou outras características invulgares de provas,
ensaios, variedades e peças similares, podem aumentar a importância
filatélica da participação. Variedades comuns, como
diferenças de cor insignificantes, ensaios de cor de aquisição
fácil, etc., nada acrescentam à participação
e provavelmente afetam de forma negativa a desenvolvimento temático.
Quando as variedades de impressão, peças sobretaxadas e sobrecarregadas
não apresentam informações temáticas de relevo,
a peça normal deve ser também exposta.
A utilização de postais máximos deve ser limitada a
algumas peças significativas e essencialmente para tornar mais óbvia
a informação do selo. Em complemento à necessária
concordância do assunto, obliteração e data, estas peças
devem ter uma obliteração adequada ao tema.
Estudos filatélicos
Na maior parte das áreas temáticas existe material filatélica que, sem grande diferença temática, apresenta um vasto número de importantes variantes filatélicas. Se este material ilustra, ao mesmo tempo, um ponto muito importante do tema então são permitidos estudos filatélicos mais profundos, pelo que este valioso e excepcional material pode ser convenientemente exposto.
A fim de conservar a equilíbrio, o objetivo destes estudos não deve ser a perfeição, mas a representação das mais significativas particularidades filatélicas. A extensão do estudo deve ser proporcional ao nível da especialização da participação, Contudo, o desenvolvimento do tema não pode ser prejudicado, e a texto temático deve ser enquadrado dentro do estudo sem quebra do fio temático.
4 - Critérios de avaliação das participações
Os parágrafos anteriores explanam os princípios de composição da participação, as quais correspondem diretamente aos critérios para a sua avaliação. A fim de evitar repetições, os comentários e estes critérios são, par isso, limitados a algumas notas adicionais.
4.1 - Plano e Amplitude
A amplitude será avaliada, comparando a da participação com a que potencialmente pode ser realizada através de um plano muito claro e completo e de um desenvolvimento minucioso e profundo.
4.2 - Desenvolvimento do Tema
Para avaliar a originalidade da pesquisa temática, devem ter-se
em consideração estudos anteriores do tema, a fim de se verificar
quanto o desenvolvimento pode beneficiar da literatura temática e
filatélica disponível, dos catálogos e da pesquisa
documental. Isto pode ser então comparado com a pesquisa e estudo
pessoal, em termos de compreensão, amplitude e profundidade do tema.
A importância temática é expressa pelo grau de dificuldade
do desenvolvimento, na base da esfera de ação do tema e da
relativa disponibilidade de material.
4.3 - Conhecimentos Filatélicos
Para avaliar os conhecimentos filatélicos, dentro das possibilidades de um determinado tema, é dada importância à presença de todos os diferentes tipos de material filatélica, e sua utilização equilibrada Isto refere-se em particular à atenção para documentos antigos (pré-filatélica e clássicos) e também para material moderno, e para a utilização de peças de áreas geográficas diferentes.
Deve ser dada maior importância a material que:
- não tenha ainda sido descoberto para a tema em questão ou aí tenha sido muito pouco investigado:
- se refira a uma área de colecionismo pouco comum;
- tenha uma qualificação temática que não é imediatamente óbvia e, par isso, necessita de ser descoberta pela expositor.
A importância filatélica de uma participação é demonstrada pela grau de dificuldade do material disponível em termos do seu significada filatélico. Um desenvolvimento baseada em material de elevado interesse filatélico, que não significa necessariamente ser de enorme raridade, é mais apreciado do que outro para a qual só existe material comum.
4.4 - Estado e Raridade
O estado é baseado nos habituais e generalizados critérios
utilizados na filatelia. Para o material moderno, o bom estado é
um requisito essencial.
As obliterações devem ser claras, e não macular o desenho
do selo de modo a ser claramente visível o motivo que interessa.
A raridade é baseada nos critérios objetivos tais como a
tiragem da emissão, a dificuldade de aquisição e a
presença de peças excepcionais.
É essencial que as variedades, provas, ensaios, tiras, blocos, etc.,
sejam mais raros do que as peças originais, aumentado-lhes a qualidade
filatélica e para evitar que a participação se tome
um estudo filatélico especializado.
É óbvio que as peças que, apesar de serem muito raras, não têm ou têm insuficiente relação com o tema, não devem ser consideradas na avaliação.
4.5 - Apresentação
Os esforços do expositor são demonstrados pela disposição apropriada nas folhas das peças e dos textos. São preferíveis folhas brancas ou de cor pálida que não diminuam o material .
As técnicas de apresentação como, por exemplo, a montagem e a disposição dos selos e documentos, devem ser consistentes e cuidadas ao longo das folhas da participação.
Apresentação do material
Nenhuma folha deve apresentar-se demasiado cheia ou demasiado vazia A fim de evitar enchê-las demasiado, é suficiente, em principio, expor somente um exemplar de uma série de muitas peças (selo, inteiro postal, obliteração, etc. ) com a mesma ilustração; a utilização de várias peças com exatamente a mesma ilustração, deve ser limitada a circunstâncias especiais, como por exemplo:
- razões de simetria;
- equilíbrio do texto;
- significado temático especifico;
- significado filatélico.
Isto não se aplica quando o mesmo desenho é comum a diferentes tipos de material (selos e/ou selo/ilustração impressos em inteiros postais, e/ou obliterações especiais, etc.), ou quando as peças pertencem a vários países. Algumas vezes a mesma peça pode ser utilizada para ilustrar diversos pontos temáticos, devido por exemplo aos seus motivos secundários Sugere-se, pois, que para evitar repetições, a peça seja exposta em espécies diferentes (ex.: isolada, variedade, prova, em sobrescrito com uma obliteração temática apropriada, etc. )
No caso de peças muito comuns, uma folha muito cheia com documentos
e inteiros postais, pode ser evitada expondo apenas as partes temáticas
e filatélicas essenciais através de cortes na folha ("janelas").
Isto representa muitas vezes uma alternativa preferível ao "corte"
dos documentos.
Documentos de maiores dimensões podem, por vezes, afetar de forma
desagradável o equilíbrio temático. Contudo, isso pode
ser aceite se aqueles apresentarem uma maior raridade e um melhor estado
do que um selo isolado ou uma obliteração num fragmento
Em principio, a sobreposição de documentos nem sempre pode
ser evitada, os resultados visuais são menos perturbadores para correspondência
normal, comercial, de serviço e oficial, e no caso de alguns temas
(ex. organizações, acontecimentos, história especifica,
etc. ), do que para outros (ex., temas artísticos ou estéticos).
A escolha entre selos novos ou obliterados, é deixada ao critério
do expositor. Do ponto de vista visual, é recomendado que uma participação
contenha apenas uns, ou outros, Quando isto não é exeqüível
por razões filatélicas (ex. um selo que é muito mais
raro no outro estado), ou por dificuldade de aquisição, deve
ser, no mínimo, evitada a mistura de selos novos e usados na mesma
folha. Contudo, a inclusão de peças circuladas numa folha
não implica que todos os selos da mesma folha tenham de ser obliterados.
Os inteiros postais podem ser expostos novos ou circundados, de acordo com a sua importância filatélica e o gosto do expositor. Não devem ser cortados. Por outro lado, o uso de "janelas", para inteiros postais deve ser estritamente limitado a peças muito comuns selecionadas devido â sua obliteração e nunca devem ser utilizadas quando a peça é exposta pelo seu impresso e/ou ilustração.
o mesmo selo somente deve ser exposto isolado e sobre carta ou postal,
por razões filatélicas justificadas, Em principio, é
suficiente apresentar o último, sob a condição de ter
uma obliteração temática importante.
Os selos utilizados para descrever o desenvolvimento, não devem ser
expostos sobre documentos sem uma obliteração adequada, a
não ser que o documento tenha um significado filatélico claro.
O expositor deve evitar expor sobrescritos nos quais numerosos selos não
se reportem ao tema como, por exemplo, uma série da qual apenas uma
ou duas peças é adequada.
Texto
A repetição do titulo da coleção em cada folha, representa apenas um desperdício de espaço. O cabeçalho da folha deve identificar a classificação de acordo com as subdivisões do plano e sumariar o conteúdo da folha. Quando necessário, isto pode ser conseguido apresentando subdivisões mais detalhadas. Quando é adotado um sistema numérico para o plano geral, idêntico procedimento deve ser adotado em todas as folhas.
As fotocópias ou fotografias do reverso de um documento, mostrando, por exemplo, o selo impresso de inteiros postais ou marcas postais, podem ser utilizadas se apenas desta maneira puder ser apresentada informação importante,
Mapas e diagramas, simples e elucidativos, só podem ser utilizados em muito poucos e excepcionais casos, como suplemento ao texto, onde ajudem significativamente a uma melhor compreensão do desenvolvimento e permitam reduzir o texto
5 - Apreciação das participações
O Júri utilizará a tabela de pontos definida no artigo 5.2
do SREV,
Recomenda-se vivamente que os jurados temáticos preencham um impresso
de avaliação apropriado, a fim de se orientarem numa apreciação
consistente das participações A Comissão Temática
FIP fornecerá um impresso de referência.
A presença de peças duvidosas, falsificadas ou reparadas, que não estejam claramente identificadas como tal, originará a desvalorização da participação Por conseguinte, aconselha-se os colecionadores a efetuarem perícia nas peças duvidosas, antes de as incluírem na participação.
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